Os Metais e os Esmaltes
- Anderson de Castro Tomazine
- 22 de mai. de 2019
- 4 min de leitura
Na representação dos brasões de armas são utilizados apenas dois tipos de metais, o ouro e a prata, e cinco tipos de esmaltes, a saber: vermelho, azul, verde, púrpura e negro.
Os desenhos que representam o corpo humano ou suas partes podem ser usados na sua cor natural, também conhecida como "carnação".
O termo esmalte tem origem nas palavras "hasmal" (hebraico) e "esmaltium" (latim) que referem-se ao preparo de um verniz vítreo com grande aderência, que era usado para proteger os metais da oxidação.
Metais e Esmaltes Utilizados na Heráldica.
O metal ouro pode receber outros nomes, em determinadas circunstâncias: nos escudos dos reis passa a ser chamado de sol; nos brasões da nobreza em geral é chamado de topázio. Aqueles que tem este metal no seu escudo estavam obrigados, na idade média, a fazer bem aos pobres e a defender seus senhores, lutando por eles até o final das suas forças.
O metal prata, quando presente nas armas dos soberanos, recebe o nome de lua.
A prata está associada com a inocência e pureza, e aqueles que a tinham em seu brasão estavam obrigados a defender as donzelas e a amparar os órfãos.
O esmalte vermelho é conhecido também como goles ou gules, recebendo este nome nas armarias da nobreza geral. Quando presente nos escudos dos príncipes, passa a ser chamado de marte, enquanto nos brasões dos nobres titulados é chamado de rubi. Este esmalte é associado com o valor e a intrepidez e obrigava os seus portadores a socorrer os injustiçados e oprimidos.
O esmalte azul chama-se Júpiter quando aplicado às armas reais, safira nas armas dos nobres titulados ou simplesmente azul nos escudos da nobreza em geral. Este esmalte significa nobreza, majestade, serenidade e os seus portadores estavam obrigados a fomentar a agricultura e também a socorrer os servidores despedidos injustamente ou que se encontrassem sem remuneração.
O esmalte verde é conhecido na heráldica como sinople, quando aplicado às armas da nobreza em geral. Para os príncipes e reis passa a ser chamado de vênus, enquanto para a nobreza titulada é referenciado como esmeralda. Um brasão que continha este esmalte obrigava o seu portador a socorrer os lavradores em geral, assim como aos órfãos e pobres oprimidos.
O esmalte púrpura significa dignidade, poder e soberania, e aqueles que a usavam em sua cota de armas deveriam proteger os eclesiásticos e religiosos.
O esmalte preto é também chamado de sable nas armarias em geral, mudando o seu nome para saturno nas armas reais e para diamante nas armas da nobreza titulada. O sable está associado a ciência, a modéstia e a aflição. Aqueles que apresentavam este esmalte em seus brasões estavam obrigados a socorrer as viúvas, os órfãos e todas as pessoas dedicadas às letras.

Forros ou Peles: Arminhos e Veiros. Também são incluídas a carnação e as cores naturais, embora não sejam Esmaltes.

Significado dos Esmaltes
Ouro: nobreza, riqueza e poder.
Prata: pureza, integridade, firmeza e obediência.
Vermelho: vitória, fortaleza e ousadia.
Azul: zelo, caridade, justiça, lealdade, beleza e boa reputação.
Verde: esperança, fé, amizade, bons serviços prestados, amor, juventude e liberdade.
Púrpura: grandeza e sabedoria elevada.
Negro: prudência, astúcia, tristeza, rigor e honestidade.
As figuras do mundo natural, quando não sejam peças propriamente heráldicas representadas de um só esmalte, são apresentadas com as suas cores naturais e denomina-se "da sua cor". Assim, teremos, por exemplo: de ouro, com um urso rampante da sua cor.
É conveniente, no entanto, ter alguns cuidados ao brasonar, por exemplo, uma sereia "da sua cor" ... (qual é a cor de uma sereia?) Será mais seguro brasonar uma sereia, a metade humana de carnação, a metade peixe de prata...
As peças da sua cor podem sobrepor-se a metais, cores ou peles. Daí que as árvores ou plantas, quando de verde, possam existir em campo de qualquer cor sem indicação de serem cosidas.
Alguns autores citam ainda um esmalte específico, a Carnação, cor natural da pele humana.
O ouro e a prata podem ser representados como metais, com os reflexos próprios, ou pelas cores amarela e branca, respectivamente.
Compete ao artista que ilumina o brasão decidir sobre o tom específico de cada esmalte e as sombras e outros efeitos a aplicar ao desenho, dentro das regras do desenho heráldico.
Como regra essencial, não se devem sobrepor metais a metais nem cores a cores (por exemplo, não é de boa heráldica um brasão com uma cruz de prata sobre campo de ouro, ou com uma cruz de vermelho sobre campo de azul). Justifica-se tradicionalmente esta regra com uma explicação técnica: quando se pintava um escudo, não se empregavam tintas sobre tintas, para não correr o risco de misturas ou esborratamentos. Outra explicação refere a necessidade de distinguir com rapidez os combatentes numa batalha ou torneio, o que impunha a utilização de cores fortes e contrastadas.
As peles podem ser sobrepostas tanto a metais como a cores.
Quando é inevitável a representação de metais ou cores sobrepostas, deve brasonar-se referindo que tais esmaltes estão cosidos.
Por exemplo, dir-se-ia de vermelho, com uma cruz cosida de azul.
Esta regra não se aplica, evidentemente, no caso de duas cores ou metais justapostos em partições do escudo; é perfeitamente correto brasonar um escudo partido de ouro e prata, sem necessidade de estes metais serem cosidos.
Outra exceção à regra verifica-se quando uma peça cobre simultaneamente um metal e uma cor do campo, como, por exemplo, no caso de uma cruz de azul sobre um campo partido de ouro e vermelho.
Também não se aplica em relação aos pormenores de uma figura, como, por exemplo, a língua e garras de um leão.
Alguns autores antigos consideravam o negro uma pele, pelo que seria legítimo sobrepô-la a qualquer cor ou metal. Hoje, contudo, prefere referir-se, em tal caso, que se trata de peças cosidas (por exemplo, de vermelho, com três merletas cosidas de negro). Do mesmo modo, era reconhecida à púrpura o privilégio de poder sobrepor-se a qualquer cor sem quebra das leis da heráldica.
Várias outras cores, chamadas manchas, são muito menos comuns, notadamente:

- Sanguine (vermelho-sangue) - Murrey (amoreira) - Tenné (laranja-queimado)
Estes são apenas ocasionalmente encontrados, normalmente para fins especiais - por exemplo, muitas forças aéreas usam Blau-celeste (céu azul).
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