A Origem do Sobrenome
- Anderson de Castro Tomazine
- 23 de mai. de 2019
- 3 min de leitura
Da maneira como conhecemos hoje, os sobrenomes só começaram a ser usados oficialmente no século XV. Antes disso, o único jeito de diferenciar uma pessoa de outra com o mesmo nome era através dos apelidos. Para isso, era comum recorrer ao nome do pai, o lugar de nascimento, a profissão e até características físicas ou morais do cidadão.
Alguns apelidos comuns na França eram Bienboire (bom de corpo) e Fritier (vendedor de peixe frito).
Já na Espanha e em Portugal eram usadas as terminações "-ez" e "-es" para designar o filho de alguém. Assim, Antunes era o filho de Antonio e Sánchez, de Sancho. Mas, com o crescimento das cidades, o sistema se tornou ineficiente. Decretos governamentais passaram a exigir o registro de sobrenomes e as pessoas recorrem aos nomes informais que usavam. Desta maneira, os apelidos foram oficializados e se tornaram sobrenomes de famílias.
A relação entre apelidos e sobrenomes continua tão forte que, em espanhol, a palavra "apellido" significa sobrenome, assim como na heráldica.

As Quatro Origens do Sobrenome
As origens dos sobrenomes podem se classificar em quatro categorias:
1. SOBRENOMES DE LOCALIDADE (toponímicos e locativos):
Toponímicos = derivam do nome do lugar de procedência de seu portador inicial.
Locativos = derivam de características topográficas do lugar de residência de seu primeiro portador. Ex.: Flávio Belmonte (monte belo).
2. SOBRENOMES DE PARENTESCO:
Patronímico = derivam do nome próprio do pai.
Matronímico = derivam do nome próprio da mãe.
Na maioria dos países era comum o sobrenome derivar do nome próprio do pai. O sufixo inglês "son" agregado a um nome denota "filho de". Vejamos outros sufixos utilizados:
Noruega e Dinamarca = "sen"
Grego = "-pulor"
Polaco = "-wiecs"
Castelhano = "-ez"
Finlandês = "-nen"
Irlanda e Escócia = "Mac e Mc"
Quando um sobrenome inglês termina em "s" este pode indicar que pertencia a uma pessoa que estava a serviço de outra como por exemplo: Parsons foi alguém que trabalhou para o Senhor Parson.
Em outros casos o "S" também significava que o marido de uma mulher havia falecido e que portanto ela era viúva.
3. SOBRENOMES APELATIVOS:
São aqueles que geralmente denotam características físicas da primeira pessoa a que ele foi dado como por exemplo: Alexandre Costa Curta ou João Barba Roxa.
Em alguns nomes maiores foram abreviados gerando diferentes grafias como por exemplo: Mezzetti é uma variante de Giacomazzetti.
Neste caso incluem-se os nomes de animais como por exemplo: João Raposo.
4. SOBRENOMES OCUPACIONAIS (derivados da ocupação ou trabalho/ofício da pessoa).
Durante a Idade Média, a Europa era composta de vilarejos que pertenciam aos senhores. Estas vilas precisavam dos serviços de pessoas para arar a terra, cuidar dos animais, carpinteiros para construir casas e outros. As ocupações descreviam o trabalho desempenhado por cada indivíduo. Quando o escrivão registrava a pessoa em um arquivo, era normal identificá-lo por meio de sua ocupação/trabalho. Os feudos precisavam destas pessoas e seus ofícios e muitas vezes os filhos continuavam desempenhando as mesmas atividades para os mesmos senhores feudais que seus pais haviam servido.
Outro método para identificar e distinguir indivíduos e famílias na Idade Média se iniciou com as cruzadas. Este consistia em identificar-se por meio de um escudo e brasão.
Curiosidades
Para os monarcas, o apelido era algo importante - como seus nomes possuiam caráter hereditário, a alcunha era usada como diferencial. Entre os nomes mais estranhos figura o do rei dos francos, Pepino, o Breve. A explicação ? Embora as biografias não apontem suas medidas, ele era considerado baixo. Daí surgiu o "Breve". (Já o esquisito Pepino era o nome dele mesmo).

Ricardo I, filho do rei inglês Henrique II (que governou no século XII), ficou conhecido como "Coração de Leão" - obviamente, por causa de sua coragem. Seu Irmão caçula, João, virou João "Sem Terra": como era o quarto filho, não teve direito a herança. Ele foi obrigado a assinar a Carta Magna em 1215, embrião dos direitos humanos e que o impedia de cobrar os altos impostos que vinha recolhendo.

Também na Inglaterra, Mary I, filha de Henrique VIII, teve um reinado curto (5 anos), porém bastante conturbado. Numa tentativa de restaurar o catolicismo e acabar com a igreja que seu pai fundara, ela queimou vivos 300 anglicanos e prendeu sua meia-irmã. Transformou-se em "Maria Sangrenta" - em inglês, Bloody Mary, nome que mais tarde batizaria uma bebida feita com vodca e suco de tomate.
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